April 18, 2017

February 24, 2017

December 29, 2016

October 27, 2016

September 22, 2016

August 25, 2016

July 20, 2016

June 22, 2016

Please reload

Recent Posts

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Featured Posts

ABRAM TODAS AS JANELAS

Empresário, inventor, publicitário, astrólogo, correspondente comercial, comentarista politico, tradutor, critico literário, escritor, filósofo e poeta maior da lingua portuguesa, Fernando Pessoa não cabia em si e transbordava em heterónimos

Pelo punho do desassossegado Alvaro de Campos, talvez o mais importante dos seus amigos inventados (“com uma falta de gente coexistível como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer se não inventar os seus amigos?”), Pessoa escreveu o impressionante texto que editado - aliás como convém em tempos de hj… - invadiu nos ultimos dias as redes sociais na voz grave de Maria Bethania.

Dias em que ser brasileiro faz ferver a cara de vergonha, dias de humiliação e desrespeito e que insultam a inteligência de todo um país. Dias como os que provavelmente viveu Pessoa e o povo Portugues  em 1890  com a escandalosa imposição do ultimato Britânico, que terminou derrubando o governo de Lisboa.

O texto original é bem mais complexo, Campos cita nome e sobrenome de personagens que são alvo do seu repudio e indignação. Um por um espinafra e prá não esquecer ninguém proclama:

“…E se houver outros que faltem, procurem-nos aí para um canto!

Todos! todos! todos!

Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem intelectual!

E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados pra baixo à porta da Insuficiência da época!

Tirem isso tudo da minha frente!

Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!

Tudo daqui para fora!

Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!

Se não querem sair, fiquem e lavem-se !

Falência geral de tudo por causa de todos !

Falência geral de todos por causa de tudo !

Falência dos povos e dos destinos — falência total !”

 

 

Segundo meu pai, jornalista e filosófo com 83 anos na cara, as pessoas estão exaustas com os noticiários pesados, a crise política é triste, desalentadora e emburrece.

E o que dizer da polarização que dividiu o país em dois, amigos trocando ofensas, gente inteligente agindo de forma infantilóide, primária e teimosa. Por orgulho? Vergonha? Me escapa qualquer explicação possível.

O Brasil está monotemático, está obtuso, atrasado. Não se discute nada a não ser sua escandalosa vida politica.

Também cansada e já sem muita esperança convoco mais uma vez a necessidade do novo. E para tal empresto a genialidade de um homem múltiplo e o trecho mais bonito de “Ultimatum”.

Boa sorte Brasil!

 

“Sufoco de ter somente isso à minha volta. Deixem-me respirar!

Abram todas as janelas!
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo.

O mundo quer a inteligencia nova, a sensibilidade nova, o mundo tem sede de que se crie.

O que aí está a apodrecer a vida quando muito é estrume para o futuro. O que aí está não pode durar porque não é nada.

Eu da raça dos navegadores afirmo que não pode durar!

Eu da raça dos descobridores desprezo o que seja menos do que descobrir um novo mundo.”

Proclamo isso bem alto, braços erguidos, fitando o Atlântico e saudando abstratamente o infinito.

 

Alvaro de Campos 1917

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Follow Us

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Search By Tags
Please reload

Archive
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square